Todas histórias aqui escritas circulam pela internet, normalmente por correio eletrônico, e que aparecem aqui e ali, com alguns detalhes alterados, de tal forma que não é possível determinar se algumas são autênticas ou não. O certo é que, verdadeiras ou não, todas elas emocionam, edificam e, principalmente, deixam uma lição que pode ser de grande ajuda, especialmente em momentos críticos.

23 de agosto de 2013

Como se chama um poema?


Escrevo para desaparecer 
Sob as frestas 
Da floresta insone; 
Através do labirinto 
Pop-cultural 
Onde, mais que a obra,
 O que sobra 
(E se pretende imortal)
 É o nome. 
Escrevo sobre a folha, poemas:
 Papel e caneta 
Matam minha fome.
 Os fonemas 
São amigos argutos, 
Vestidos de onomatopéias: 
Não são Césares 
Ou Brutus, 
Nem heróis de falsas odisséias. 
Escrevo para o mundo real 
Uma fábula sem importância: 
Quero desafiar, desmontar o banal 
Dessa gente fake 
E sem substância. 
Escrevo 
Para quebrar 
O espelho vazio, 
Esse frágil 
“Liame com o mundo”. 
Às vezes Sou como cão no cio; 
Minha poesia é a dama 
Beijando o vagabundo. 
O poema me chama
 Mas, como se chama 
O poema? 
Nesse teorema 
Não quero luzes 
Nem cruzes 
Na batalha da escrita: 
Que ninguém tema 
Minha certeira bala, 
Atingindo outra alma aflita. 
O poema grita 
Quando alguém o cala,
 E fala alto 
Quando se irrita. 
Reflita: 
Escrevo 
Para ”suscitar liberdades”;
 Nada que digo 
Cabe em mim 
E nunca sei 
Se há mentira ou verdade 
Tranqüilidade ou perigo 
No começo do meu fim.
 Escrevo para atravessar 
A linha tênue 
Que separa 
O espetáculo
 Do espetacular. 
Palavra por palavra 
O poema é receptáculo 
Daquilo que quero falar. 
Tento especular, 
Mas diante
 Da linha do tempo,
 Lentamente 
Minha poesia dá ré,
 Até Ré – começar. 

 Augusto Dias
 'O Teatro Mágico'

O ALPINISTA

Esta é a história de um alpinista que sempre buscava superar mais e mais desafios.
Ele resolveu depois de muitos anos de preparação, escalar o Aconcágua. 
Mas ele queria a glória somente para ele, e resolveu escalar sozinho sem nenhum companheiro, o que seria natural no caso de uma escalada dessa dificuldade. 

 Ele começou a subir e foi ficando cada vez mais tarde, porém ele não havia se preparado para acampar, resolveu seguir a escalada e decidido a atingir o topo.

 Escureceu, e a noite caiu como um breu nas alturas da montanha, e não era possível mais enxergar um palmo à frente do nariz, não se via absolutamente nada. Tudo era escuridão, zero de visibilidade, não havia lua, e as estrelas estavam cobertas pelas nuvens. 

 Subindo por uma "parede" a apenas 100m do topo ele escorregou e caiu. Caía a uma velocidade vertiginosa, somente conseguia ver as manchas que passavam cada vez mais rápidas na mesma escuridão, e sentia a terrível sensação de ser sugado pela força da gravidade. Ele continuava caindo e nesses angustiantes momentos, passaram por sua mente todos os momentos felizes e tristes que ele já havia vivido em sua vida... De repente ele sentiu um puxão forte que quase o partiu pela metade. Como todo alpinista experimentado, havia cravado estacas de segurança com grampos a uma corda comprida que fixou em sua cintura.

 Nesses momentos de silêncio, suspendido pelos ares na completa escuridão, não sobrou para ele nada além do que gritar:

 -"Ó Meu Deus, me ajude!"

 De repente uma voz grave e profunda vinda do céu respondeu: 

-"QUE VOCÊ QUER DE MIM MEU FILHO?" 

 -"Me salve meu Deus, por favor!"

 -"VOCÊ REALMENTE ACREDITA QUE EU POSSA TE SALVAR?"

  -"Eu tenho certeza Meu Deus!" 

-"ENTÃO CORTE A CORDA QUE TE MANTÉM PENDURADO."

 Houve um momento de silêncio e reflexão. 
O homem se agarrou mais ainda à corda e refletiu que se fizesse isso morreria.

 "Conta o pessoal de resgate que no outro dia encontrou um alpinista congelado e morto; agarrado com força e com as suas duas mãos a uma corda... 
A TÃO SOMENTE DOIS METROS DO CHÃO. 
Ele não acreditou."

(Desconheço o Autor)

O Principal


Conta a lenda que certa mulher pobre com uma criança no colo, passando diante de uma caverna escutou uma voz misteriosa que lá dentro lhe dizia: 

"Entre e apanhe tudo o que você desejar, mas não se esqueça do principal.
 Lembre-se, porem, de uma coisa:Depois que você sair, a porta se fechara para sempre. 
Portanto, aproveite a oportunidade, mas não se esqueça do principal...”.

 A mulher entrou na caverna e encontrou muitas riquezas. 
Fascinada pelo ouro e pelas jóias, pôs a criança no chão e começou a juntar, ansiosamente, tudo o que podia no seu avental. A voz misteriosa falou novamente: 

"Você agora só tem oito minutos."

 Esgotados os oito minutos, a mulher carregada de ouro e pedras preciosas, correu para fora da caverna e a porta se fechou... Lembrou-se, então, que a criança lá ficara e a porta estava fechada para sempre! 


LIÇÃO DE VIDA :  O principal era a criança e não o ouro. 
 O verdadeiro tesouro em nossa vida é quem amamos e não riquezas materiais!!!
A riqueza durou pouco e o desespero, sempre.


 O mesmo acontece, às vezes, conosco. Temos uns oitenta anos para viver, neste mundo, e uma voz sempre nos adverte: "Não se esqueça do principal!".
E o principal são os valores espirituais, a oração, a vigilância, a vida!
 Mas a ganância, a riqueza, os prazeres materiais nos fascinam tanto que o principal vai ficando sempre de lado... Assim, esgotamos o nosso tempo aqui, e deixamos de lado o essencial:

 "Os tesouros da alma!" Que jamais nos esqueçamos que a vida, neste mundo, passa breve e que a morte chega de inesperado. E quando a porta desta vida se fechar para nos, de nada valerão as lamentações. Portanto, que jamais esqueçamos do principal !

8 de agosto de 2013

De um lado cantava o sol


De um lado cantava o sol, do outro, suspirava a lua. 
 No meio, brilhava a tua face de ouro, girassol! 

Ó montanha da saudade a que por acaso vim:  
Outrora, foste um jardim, e és, agora, eternidade! 
 De longe, recordo a cor da grande manhã perdida. 
 Morrem nos mares da vida todos os rios do amor? 

Ai! celebro-te em meu peito, em meu coração de sal, 
 Ó flor sobrenatural, grande girassol perfeito! 

Acabou-se-me o jardim! 
 Só me resta, do passado, este relógio dourado que ainda esperava por mim . . 

Cecília Meireles

4 de agosto de 2013

Morada no Céu


Um homem muito rico morreu e foi recebido no céu. 
 O anjo guardião levou-o por várias alamedas e foi lhe mostrando as casas e moradias. 
Passaram por uma linda casa com belos jardins. 
 O homem perguntou: 

 — Quem mora aí? 
O anjo respondeu:  — É o Raimundo, aquele seu motorista que morreu no ano passado. 

 O homem ficou pensando: "puxa! O Raimundo tem uma casa dessas! 
Aqui deve ser muito bom!" Logo a seguir surgiu outra casa ainda mais bonita. 

 — E aqui, quem mora? - perguntou o homem. 

 O anjo respondeu:  — Aqui é a casa da Rosalina, aquela que foi sua cozinheira. 

 O homem ficou imaginando que, tendo seus empregados magníficas residências, sua morada deveria ser no mínimo um palácio. Estava ansioso por vê-la. 
Nisso o anjo parou diante de um barraco construído com tábuas e disse:

 — Esta é a sua casa! 
 O homem ficou indignado: — Como é possível! Vocês sabem construir coisa muito melhor. 

 — Sabemos - responde o anjo - mas nós construímos apenas a casa. O material é você mesmo que seleciona e nos envia lá de baixo. Você só enviou isso! 

 Moral da história: cada gesto de amor e partilha é um tijolo com o qual construímos a eternidade. Tudo se decide por aqui mesmo, nas escolhas e atitudes de cada dia.

20 de julho de 2013

O silêncio das árvores


Procuro-te 
como se não houvesse medos 
movo-me 
entre ramos debruados 
por um tempo que retenho 
dentro de um lugar sem tempo.

 Desfaço-me 
espiral de cinzas pedaços que sobraram 
de um sonho a arder numa tela. 
A memória a desenhar os rostos 
a vida suspensa nos lábios do vento. 
 Caem sombras a meus pés 
desprende-se o grito 
a desilusão por detrás do espelho.

 E no vazio que emerge de um tempo incompleto 
olho-me decifro-te na solidão do verso 
a esmagar o mito. 

 E o rio a escorregar exangue em degraus de mármore 
e o céu a ser invisível a tombar pôr do sol e mar 
sobre o silêncio das árvores. 

by ,Brígida Luz

6 de julho de 2013

História real – impossível não se emocionar!!!

Uma cadela chamada Thuska 

 Quero compartilhar com vocês uma história muito íntima e dolorida que me traz tristes lembranças mas, em prol dos animais, e do muito que gosto deles, farei isso. Já que venho fazendo uma campanha açirrada sobre a defesa dos animais, principalmente cachorros, vou contar um fato que marcou profundamente e de forma definitiva a minha vida. 
Ao filho que aos 8 anos de idade faleceu de um mal congênito nos pulmões, pequeno ainda, dei-lhe uma cadela chamada Thuska que tinha pouco mais que a idade dele. 
Cresceram juntos, aprenderam juntos a nadar e durante toda sua curta vida foi sua melhor amiga, amavam-se de uma forma comovente, ela parecia saber de sua doença e fragilidades e tentava protegê-lo de tudo e de toda forma. 
Quando ele faleceu, Thuska estava ao meu lado e ele ”dormia” em meus braços. “Choramos” juntas, era madrugada e por horas ficamos ali no quarto sem um barulho sequer em respeito àqueles nossos últimos momentos. Somente quando levantei para levá-lo, ela o lambeu, como se soubesse que era a última vez, me acompanhou até a sala e dali em diante não mais a vi. 
Quando voltei do enterro, Thuska me esperava, não procurou por ele como era de costume, me acompanhou ate o quarto, cansada, em total estado de prostração e desespero, joguei-me na cama, agarrei-me a Thuska e por mais de 4 horas dormi, desfalecidamente, em seus braços com as pernas estiradas em sua barriga, o peso devia ser imenso gerando fortes dificuldades para que ela respirasse. 
Quando acordei, ela ali estava acordada quieta na mesma posição, numa atitude de total respeito ao sono de uma mãe que acabara de perder um filho. 
Thuska foi fundamental no meu processo de recuperação e quando eu estava melhor, ela partiu, como os passarinhos dormiu e não acordou mais.
 Hoje sei que 2 anjos passaram pela minha vida: Pedro, meu filho e Thuska. Sou muito grata a Deus por um dia os ter tido, ainda que por tão pouco tempo. 
Que Deus os abençoe.
Bettuska

Fonte da emocionante historia

3 de julho de 2013

A Arrogância (História Verídica)

O diálogo abaixo é verídico e foi travado em outubro de 1995 entre um navio da Marinha Norte Americana e as autoridades costeiras do Canadá, próximo ao litoral de Newfoundland. 


Os americanos começaram na maciota :

 . — Favor alterar seu curso 15 graus para norte para evitar colisão com nossa embarcação. 

Os canadenses responderam prontamente :

— Recomendo mudar o SEU curso 15 graus para sul.

O capitão americano irritou-se : 

 — Aqui é o capitão de um navio da Marinha Americana. Repito, mude o SEU curso. 

Mas o canadense insistiu : 

 — Não. Mude o SEU curso atual.

 A situação foi se agravando. 

 O capitão americano berrou ao microfone : 

 — ESTE É O PORTA-AVIÕES USS LINCOLN, O SEGUNDO MAIOR NAVIO DA FROTA AMERICANA NO ATLÂNTICO. ESTAMOS ACOMPANHADOS DE TRÊS DESTRÓIERES, TRÊS FRAGATAS E NUMEROSOS NAVIOS DE SUPORTE. EU EXIJO QUE VOCÊS MUDEM SEU CURSO 15 GRAUS PARA NORTE, UM, CINCO, GRAUS NORTE, OU ENTÃO TOMAREMOS CONTRAMEDIDAS PARA GARANTIR A SEGURANÇA DO NAVIO. 

 E o canadense respondeu : 

. — Aqui é um farol, câmbio ! 

Às vezes a nossa arrogância nos faz cegos... 

 Quantas vezes criticamos a ação dos outros, quantas vezes exigimos mudanças de comportamento nas pessoas que vivem perto de nós, quando na verdade nós é que deveríamos mudar o nosso rumo...



28 de junho de 2013

A floresta

Rio de Janeiro

 Sobre o dorso possante do cavalo
 Banhado pela luz do sol nascente 
 Eu penetrei o atalho, na floresta.
Tudo era força ali, tudo era força
 Força ascencional da natureza.
 A luz que em torvelinhos despenhava
 Sobre a coma verdíssima da mata
 Pelos claros das árvores entrava
 E desenhava a terra de arabescos.
 Na vertigem suprema do galope
 Pelos ouvidos, doces, perpassavam
 Cantos selvagens de aves indolentes.
 A branda aragem que do azul descia
 E nas folhas das árvores brincava
 Trazia à boca um gosto saboroso
 De folha verde e nova e seiva bruta.
 Vertiginosamente eu caminhava
 Bêbado da frescura da montanha
 Bebendo o ar estranguladamente.
 Às vezes, a mão firme apaziguava
 O impulso ardente do animal fogoso
 Para ouvir de mais perto o canto suave
 De alguma ave de plumagem rica
 E após, soltando as rédeas ao cavalo Ia de novo loucamente à brisa. 

 De repente parei. Longe, bem longe Um ruído indeciso, informe ainda 
Vinha às vezes, trazido pelo vento.
 Apenas branda aragem perpassava
 E pelo azul do céu, nenhuma nuvem.
 Que seria?
De novo caminhando
 Mais distinto escutava o estranho ruído
 Como que o ronco baixo e surdo e cavo
 De um gigante de lenda adormecido.

A anunciação




Montevidéu

Virgem! filha minha 
 De onde vens assim 
 Tão suja de terra 
 Cheirando a jasmim 
 A saia com mancha 
 De flor carmesim 
 E os brincos da orelha 
 Fazendo tlintlin? 



 Minha mãe querida 
 Venho do jardim 
 Onde a olhar o céu 
 Fui, adormeci. 
 Quando despertei 
 Cheirava a jasmim 
 Que um anjo esfolhava
 Por cima de mim...


Vinicius de Moraes

25 de junho de 2013

Balada para Maria



Rio de Janeiro
Não sei o que me angustia
 Tardiamente; em meu peito
 Vive dormindo perfeito
 O sono dessa agonia...
 Saudades tuas, Maria?
 Na volúpia de uma flora
 Úmida, pecaminosa
 Nasceu a primeira rosa
 Fria... 

 Perdi o prazer da hora. 

Mas se num momento cresce
 O sangue, e me engrossa a veia
 Maria, que coisa feia!
 Todo o meu corpo estremece...
 E dos colmos altos, ricos
 Em resinas odorantes
 Pressinto o coito dos micos
 E o amor das cobras possantes.

 No mundo há tantos amantes...

Maria... Cantar-te-ei brasileiro:
 Maria, sou teu escravo!
 A rosa é a mulher do cravo...
 Dá-me o beijo derradeiro?
 - Cobrir-te-ei de pomada

 Do pólen das flores puras
 E te fecundarei deitada
 Num chão de frutas maduras
 Maria... e morangos, quantos!
 E tu que adoras morango!
 Dormirás sobre agapantos...
 - Fingirei de orangotango!

 Não queres mesmo, Maria? 

 No lombo morno dos gatos
 Aprendi muita carícia...
 Para fazer-te a delícia
 Só terei gestos exatos.
 E não bastasse, Maria...

 E morro nessas montanhas
 Entre as imagens castanhas
 Da tua melancolia...

Vinicius de Moraes
Imagem: Vicente Romero Redondo

Nota

23 de junho de 2013

Cachorrinho Manco

Diante de uma vitrine atrativa, um menino pergunta o preço dos cachorros á venda. 

 - Entre 30 á 50 dólares – respondeu o dono da loja. 

 O menino puxou uns trocados do bolso e disse:

 - Eu só tenho 2,37 dólares, mas eu posso ver os filhotes?

 O dono da loja sorriu e chamou .“Lady”, 

que veio correndo, seguida de cinco bolinhas de pêlo.  Um dos cachorrinhos vinha mais atrás, mancava de forma visível. Imediatamente, o menino apontou para aquele cachorrinho e perguntou: 

 - O que é que há com ele? 

 O dono da loja explicou que o veterinário tinha examinado e descoberto que ele tinha um problema na junta do quadril, sempre mancaria e andaria devagar. O menino se animou e disse: 

 - Esse é o cachorrinho que eu quero comprar! 

O dono da loja respondeu: 

 - Você não vai gostar dele, mas se você realmente quiser ficar com ele, eu lhe dou de presente. 

O menino ficou transtornado e, olhando bem na cara do dono da loja, com o seu dedo apontado, disse:

 - Eu não quero que você o dê para mim, aquele cachorrinho vale tanto quanto qualquer um dos outros e eu vou pagar tudo. 

Na verdade eu lhe dou 2,37 dólares agora e 50 centavos por mês, até completar o preço total. 

O dono da loja contestou: 

 - Você realmente não vai gostar deste cachorrinho. Ele nunca vai poder correr, pular e brincar com você e com os outros cachorrinhos. 

Aí, o menino abaixou e puxou a perna esquerda da calça para cima, mostrando a sua perna com um aparelho para andar. Olhou bem para o dono da loja e respondeu: 

 - Bom eu também não corro muito bem e o cachorrinho vai precisar de alguém que entenda isso.

Naquele mesmo instante o vendedor não disse nada, e silenciou.

 Muitas vezes desprezamos as pessoas com as quais convivemos diariamente, simplesmente por causa dos seus “defeitos” quando, na verdade, somos todos iguais ou pior que elas, e sabemos que essas pessoas precisam apenas de alguém que as compreendam e as amem, não pelo que elas podem fazer, mas pelo que são.


16 de junho de 2013

A Ilha dos Sentimentos


Era uma vez uma linda ilha, onde moravam os seguintes sentimentos : a Alegria, a Tristeza, a Vaidade, a Sabedoria, o Amor e outros. 
 Um dia avisaram a todos o moradores dessa ilha que ela seria inundada. 
 Apavorado, o Amor cuidou para que todos os sentimentos se salvassem. 
 Todos correram e pegaram seus barquinhos, para irem a um morro bem alto. 
 Só o Amor não se apressou pois queria ficar um pouco mais em sua ilha. 
 Quando já estava quase afogando, correu para pedir ajuda. 
 Estava passando a Riqueza e ele disse : 

 — Riqueza, me leva com você? 
 — Não posso, meu barco está cheio de prata e ouro e você não vai caber. 

Passou então a Vaidade e ele pediu :

 — Oh!, Vaidade me leva com você?
 — Não posso, você vai sujar meu barco.

 Logo atrás vinha a Tristeza. 

 — Tristeza, posso ir com você? 
 — Ah... Amor, eu estou tão triste que prefiro ir sozinha. 

Passa a Alegria que estava tão alegre que nem ouviu o Amor chamar por ela. 
 Já desesperado, achando que iria ficar só, o Amor começou a chorar. 
 Então passou um barquinho onde estava um velhinho e ele disse : 

 — Sobe, Amor que eu te levo. 

O Amor ficou tão radiante de felicidade, que até se esqueceu de perguntar o nome do velhinho. Chegando ao morro onde estavam os sentimentos, o Amor perguntou a Sabedoria : 

 — Sabedoria, quem era o velhinho que me trouxe até aqui ? 

 — O nome do velhinho é o Tempo.
 — O Tempo ? Mas porque só o Tempo me trouxe até aqui ? 

 PORQUE SÓ O TEMPO É CAPAZ DE AJUDAR E ENTENDER UM GRANDE AMOR.



2 de maio de 2013

Verde lagrima


Tu que passas e levanta contra mim o teu braço, 
Antes de fazer-me algum mal, olha bem... 
Eu sou o calor do teu lar nas noites frias de inverno 
Eu sou a sombra amiga que te protege contra o sol de dezembro 
Meus frutos saciam tua fome e acalma tua sede 
Eu sou a viga que suporta o teto da tua casa

E a cama que descansas. 
O cabo das ferramentas, a porta da tua casa
Quando nasces tenho madeira para o teu berço 
E quando morres... Em forma de ataúde 
ainda acompanho ao seio da terra 
Sou o ramo da beleza e a flor da bondade 
Se me amas como eu mereço 
Defenda-me contra os insensatos. 

 Desconheço autoria

13 de abril de 2013

Minhas saudades

VELHO, VELHÍSSIMO, SONETO ANÔNIMO. 
(Texto copiado na integra, d’uma revista de 1909) 
 É pouco conhecido pelos poetas portugueses e brasileiro, 
Talvez se consiga conhecer o autor. Quem sabe??

Onde vos ides, minhas saudades?
 Ou porque deixaes de vós ausente?
 Sempre minhas sereis eternamente, 
Por mais que me deixeis, ou que vos vades. 

 Se crueldade buscaes, por crueldades, 
Onde achareis como eu quem vos sustente? 
Se piedade buscaes, quem vos não sente, 
Como vos quererá para piedades?

 Mas que é isto, saudades, que tivestes? 
Com tanta pressa, para mim tornastes? 
Ou é que no caminho vos perdestes?

 Porém, já de mim vos apartastes, 
Tornae-vos outra vez d’onde viestes,
 Porque outras tenho já que me deixastes!


 Nota da revista: Este soneto foi publicado n’uma obra impressa 
Em 1720, não se sabendo já, então, quem fosse o autor.


31 de março de 2013

AS FADAS


 As fadas… eu creio nelas! Umas são moças e belas, 
 Outras, velhas de pasmar… Umas vivem nos rochedos, 
 Outras, pelos arvoredos, outras, à beira do mar…

 Algumas em fonte fria escondem-se, enquanto é dia,
 Saem só ao escurecer… Outras, debaixo da terra, 
 Nas grutas verdes da serra, é que se vão esconder… 

 O vestir… são tais riquezas, que rainhas, nem princesas 
 Nenhuma assim se vestiu! Porque as riquezas das fadas 
 São sabidas, celebradas por toda a gente que as viu… 

 Quando a noite é clara e amena e a lua vai mais serena, 
 Qualquer as pode espreitar, fazendo rodas, ocupadas
 Em dobar suas meadas de ouro e de prata, ao luar.


 O luar é os seus amores! Sentadinhas entre as flores 
 Horas se ficam sem fim, cantando suas cantigas, 
 Fiando suas estrigas, em roca de oiro e marfim.

22 de março de 2013

RUÍNAS


Se é sempre Outono o rir das primaveras, 
Castelos, um a um, deixa-os cair... 
Que a vida é um constante derruir 
De palácios do Reino das Quimeras!

E deixa sobre as ruínas crescer heras. 
Deixa-as beijar as pedras e florir! 
Que a vida é um contínuo destruir 
De palácios do Reino de Quimeras! 

Deixa tombar meus rútilos castelos! 
Tenho ainda mais sonhos para erguê-los 
Mais altos do que as águias pelo ar!

Sonhos que tombam! Derrocada louca! 
São como os beijos duma linda boca! 
Sonhos!... Deixa-os tombar... deixa-os tombar... 

 Florbela Espanca


♥♥♥
 Se um dia lágrimas vierem ao seu rosto, 
não pense no porque!Pense nas folhas do outono, 
elas não caem porque querem, e sim porque chegou a hora 

 Raphael Bacellar



19 de março de 2013

Presença


É preciso que a saudade desenhe tuas linhas perfeitas,
teu perfil exato e que, apenas, levemente, o vento
das horas ponha um frêmito em teus cabelos…

É preciso que a tua ausência trescale
sutilmente, no ar, a trevo machucado,
as folhas de alecrim desde há muito guardadas
não se sabe por quem nalgum móvel antigo…

Mas é preciso, também, que seja como abrir uma janela
e respirar-te, azul e luminosa, no ar.
É preciso a saudade para eu sentir

como sinto – em mim – a presença misteriosa da vida…
Mas quando surges és tão outra e múltipla e imprevista
que nunca te pareces com o teu retrato…
E eu tenho de fechar meus olhos para ver-te.


Mario Quintana

4 de março de 2013

A Janela do Hospital




Dois homens, seriamente doentes, ocupavam o mesmo quarto em um hospital. Um deles   ficava  sentado  em  sua  cama  por  uma  hora   todas as tardes para conseguir  drenar  o  líquido  de   seus pulmões. Sua cama ficava próxima da única  janela  existente   no  quarto.  O  outro  homem era obrigado a ficar deitado   de  bruços  em  sua cama por todo o tempo. Eles conversavam muito. Falavam sobre suas mulheres e suas famílias, suas casas, seus empregos, seu envolvimento   com  o serviço militar, onde eles costumavam ir nas férias. E toda   tarde quando o homem perto da janela podia sentar-se ele passava todo o  tempo   descrevendo  ao seu companheiro todas as coisas que ele podia ver através da janela.

21 de fevereiro de 2013

A moça da bicicleta

Sul da França
Eu e minha amiga estávamos indo para Reims participar de um Congresso de Educação. Sentíamo-nos finas, chiques e intelectualizadas com nossos doutorados, nossa profissão e a conquista da autonomia feminina. Com malas cheias de roupas e experiências, lá fomos nós pegar o trem que nos levaria finalmente ao destino depois de 12 horas de voo… 
Depois de um bom café que tomamos na bela estação Gare de Lest, avistamos o trem que chega e nos surpreende com suas cores e estampas de plantações de uva e da relva amarela que refletem a região de Champagne. Estamos sorridentes e nos sentimos engraçadas, afinal, não entendendo quase nada do francês, havíamos conseguido encontrar a “plataforma” correta. Agora já não éramos pós-doutora, ela, e doutoranda, eu. Éramos sábias!